Expressão Dramática


Projecto desenvolvido por:

TÉCNICA RESPONSÁVEL - Hermínia Menezes

COLABORADORES - João Borges, Ana Paula, Carolina Gouveia, e Adelino Miranda


Enquadramento

A expressão dramática é uma prática que põe em acção o desenvolvimento do indivíduo aferido na sua totalidade, favorecendo, através de actividades lúdicas, o desenvolvimento de uma aprendizagem global (cognitiva, afectiva, sensorial, motora e estética).

É uma área artística que abrange quase todos os aspectos importantes do desenvolvimento da criança. A grande diversificação de formas que pode tomar [podendo ser regulada conforme os objectivos, as idades e os meios que se dispõe], tornam-na, por excelência, num importante instrumento de trabalho, uma vez que visa processos de experimentação que ampliam o potencial cognitivo, fazendo com que a criança seja capaz de expressar, com autonomia, uma visão crítica do mundo.

Embora o objectivo final da oficina de expressão dramática não seja a realização de um espectáculo, não obstante, a sua preparação, todo o trabalho de imaginação, concepção, de entreajuda, cooperação, de criatividade colectiva, formam um espaço onde este grupo de jovens poderá desenvolver, individual e colectivamente, não só as suas capacidades psico-somáticas mas também toda a sua personalidade e interacção social.


Objectivos gerais

Atendendo às especificidades próprias de um programa de índole pedagógica no contexto de uma associação de solidariedade social infanto-juvenil, e considerando as necessidades especiais de acompanhamento a crianças institucionalizadas, os objectivos prosseguidos no âmbito da oficina da expressão dramática visam, com humanidade, permitir às mesmas o desenvolvimento da sua auto-estima, criatividade e imaginação, na esteira, aliás, dum pensamento humanista contemporâneo, que define essas valências como parte integrante do sonho e do estar desperto para o Mundo.

Pretende-se assim dotar as crianças duma disponibilidade mental para que possam desenvolver competências físicas, pessoais, relacionais, cognitivas, estéticas e técnicas, de forma a que sejam, sozinhas ou em grupo, capazes de inventar e de transformar aquilo que as rodeia, com sentido crítico e positivo. Talvez assim estejam melhor preparadas para enfrentar uma vida exterior à Instituição que as acolheu, observando, percebendo, sentindo,

Para a prossecução dos objectivos atrás enunciados, a equipa desta oficina tem plena consciência de que há aspectos a sanar junto de todas e de cada uma criança, como por exemplo:

  • A questão dos preconceitos;

  • O medo de se expor;

  • O medo do ridículo, de falar e não ser aceite;

  • A pressa;

  • A impaciência;

  • O exibicionismo.

 

Objectivos específicos

A equipa de voluntários da oficina de expressão dramática do programa tem, em consonância com os objectivos gerais, a especial preocupação trabalhar em cada sessão numa perspectiva de fazer com que cada criança possa:

  • Adquirir e desenvolver capacidades no domínio da expressão vocal (produzir e criar sons, noções de ritmo);

  • Explorar a dimensão da palavra na sua vertente escrita, lida, falada e cantada;

  • Desenvolver noções de espaço físico (espaço interpessoal);

  • Compreender jogos de comunicação verbal e não verbal;

  • Fazer uso da sua criatividade e de exploração de recursos (ser capaz de criar personagens, histórias ou jogos de imaginação);

  • Dominar progressivamente a expressividade do corpo e da voz;

  • Trabalhar a concentração e atenção;

  • Estimular o relacionamento interpessoal;

  • Ampliar referências através da assistência a espectáculos;

  • Implementar hábitos de fruição teatral;

  • Fomentar vivências diferenciadas que permitam o aprofundamento da criação dramática;

  • Aplicar vocabulário específico (o que é a “plateia”, “palco”,“boca de cena”, “bastidores”, etc.).

 

Actividades desenvolvidas nas sessões semanais

São realizados, semanalmente:

  • Exercícios de expressão corporal (equilíbrio, leveza, exactidão, rapidez dos reflexos, senso de ritmo, mobilidade/imobilidade);

  • Exercícios de conhecimento da voz (como respirar, projectar a voz, timbres de voz, percepção da extensão vocal);

  • Leitura expressiva, em voz alta;

  • Exercícios de coordenação de formas (improvisação através de linguagem gestual e corporal);

  • Jogo Dramático (interpretação) – dramatização individual e colectiva.


Metodologia

As actividades semanais são orientadas de modo a serem desenvolvidas por todos os alunos, evitando-se, ao máximo, comportamentos passivos ou desinteressados, ou seja, ausência de colaboração nas actividades, falta de atenção, entre outros, ou comportamentos que coloquem em causa o bom funcionamento da sessão, nomeadamente, a perturbação.

A metodologia desenvolvida não é centrada em ensinamentos, exposições orais, mas em experiências práticas e vivências através de actividades lúdicas artísticas, ou seja, jogos expressivos e criativos. O jogo é privilegiado nas nossas sessões de modo a fortalecer o processo de conhecimento (pois não nos esquecemos de que são crianças, na sua maioria, com dificuldades de aprendizagem, donde haverá que encontrar estratégias alternativas de ensinamento) e de expressão.

Temos, assim, diferentes tipos de jogos:

  • Jogos livres, que têm por objectivo funcionar como abordagem imediata para a motivação e predisposição para a integração e para o trabalho de grupo;

  • Jogos dirigidos, como meio de superar as carências individuais, atrás referidas (e que relembramos algumas: inibição, timidez, receio…), e do grupo;

  • Jogos de improvisação: mediante o estímulo à improvisação, os alunos são conduzidos a explorar a imaginação, procurando uma resposta espontânea perante o inesperado e a desenvolver a “habilidade” para obter soluções.

No final de cada sessão, tenta-se promover pequenos momentos de reflexão do grupo a respeito dos “caminhos” seguidos, dos problemas surgidos e das oportunidades de melhoria.


Outras actividades susceptíveis de desenvolvimento durante o 1º semestre de 2009

De modo a dotar as crianças que frequentam a oficina de expressão dramática do conhecimento de realidades diferentes e enriquecedoras para a sua própria formação pessoal, perspectivam-se as seguintes actividades:

  • Acantonamento (com a duração de 3 dias a realizar no mês de Março);

  • Visita a museus (será realizada uma visita a um museu);

  • Sessão de Cinema;

  • Teatro (assistir a 2 espectáculos);

  • Concertos;

  • Actividades outdoor (a realizar pelo menos uma vez durante o semestre).


Instituições abrangidas


A. Abrigo de Nossa Senhora de Fátima

Grupo constituído por 16 alunas com idades compreendidas dos 12 aos 18 anos.

Equipa de trabalho: Hermínia Menezes, João Borges e Ana Paula


B. Abrigo de Nossa Senhora das Dores

Grupo constituído por 15 alunas com idades compreendidas dos 6 aos 19 anos.

Equipa de trabalho: Hermínia Menezes, Carolina Gouveia e Adelino Miranda

 

TEATRO NAS ESCOLAS

 

Teatro nas Escolas, projecto-piloto que dá início a uma série de intervenções pontuais nas escolas e tem como objectivo imediato despertar o gosto e a sensibilidade dos jovens por esta forma de arte.

Através do Teatro e com tudo o que lhe possa estar associado – Escrita Criativa, Dança, Música, Guarda-roupa, Expressão Plástica e Desporto – contribuir para a formação destes jovens.

O projecto decorre na Escola da Torre em Câmara de Lobos, e ao longo de 4 meses (Março a Junho), os voluntários da Criamar pretendem formar nesta escola um Grupo de Teatro Infanto-Juvenil.

O projecto envolve um universo de 20 crianças e jovens e desenvolver-se-á em 3 momentos:

  1. Preparação da peça, a equipa técnica responsável pelo projecto trabalha durante 4 meses com as crianças e jovens no sentido de desenvolver as diversas competências, através da preparação da peça e dos cenários.

  2. Apresentação da Peça, que representa a materialização do trabalho desses meses, sendo em si mesma, o prémio de todo o esforço das crianças, jovens e equipa que os acompanha.

  3. Criação de um vídeo, com o making of de todo o processo de montagem do espectáculo, que funcionará como guia para uma exploração posterior, a ser mostrado noutras escolas da Região, como acção de sensibilização e formação.