Artes Plásticas

PROJECTO DE ARTES PLÁSTICAS PARA CRIANÇAS "CONSIGO SIM!" 

TÉCNICA RESPONSÁVEL - Guiducha Silva Reis 


A importância da Arte na Educação

 

Acredita-se que a educação em Artes Visuais, num processo contínuo ao longo da vida, tenha implicações no desenvolvimento estético-visual dos indivíduos, tornando-se condição necessária para alcançar um nível cultural mais elevado, prevenindo novas formas de iliteracia.

 

A Arte não está separada da vida comunitária, faz parte integrante dela. A aprendizagem dos códigos visuais e a fruição do património artístico e cultural constituem-se como vertentes para o entendimento de valores culturais, promovendo uma relação dialógica entre dois mundos: o do Sujeito e o da Arte, como expressão da Cultura.

 

O entendimento da diversidade cultural ajuda à comparação e clarificação das circunstâncias históricas, dos modos de expressão visual, convenções e ideologias, valores e atitudes, pressupondo a emergência de processos de relativização cultural e ideológica que promovem novas formas de olhar, ver e pensar. Estas formas revelam-se essenciais na educação em geral, pelo facto de implicarem processos cooperativos como resposta às mudanças que se vão operando culturalmente.

 

De toda a riqueza da Arte na formação do indivíduo, optei, entre todas as suas áreas – música, expressão corporal, expressão dramática e expressão plástica – pela expressão plástica, tendo no entanto o intuito de trabalhar, sempre que possível, em conjunto com as outras áreas.

 

O efeito da expressão plástica na auto-estima e na Educação

 

A expressão Plástica facilita a exploração e o desenvolvimento da criatividade, servindo para descobrir a emoção estética que reside, justamente, na satisfação que experimentamos por nos sentirmos capazes de explorar ao máximo as nossas capacidades inatas de percepção.

 

As manifestações de divulgação que serão organizadas, decorrentes destas actividades, ajudarão a elevar a auto-estima.

 

Todas as actividades criadoras a desenvolver não visam nenhuma preparação de técnica específica, mas sim a transformação do hábito de pensar ao acaso em pensar logicamente ou, segundo Kerschensteiner, pensar cientificamente.

 

O que importa não é o trabalho executado pela criança e sim o efeito que este produz na sua auto-estima e educação.

Considerando que a inteligência é a capacidade de adaptação e resolução de problemas reais, que meio melhor de se educar a criança senão levando-a a praticar actos de inteligência de uma maneira completa? Nada melhor do que as actividades criadoras para que enfrentem situações problemáticas, discernindo elementos, relacionando-os, julgando-os e resolvendo da melhor forma.

 

Objectivos específicos

 

Sociabilidade


·        
Trabalhar em grupo

·         Saber reconhecer o espaço do outro

·         Perceber a individualidade de cada um

·         Partilhar ideias e  pontos de vista

·         Aprender a fazer a análise crítica individual e de grupo

·         Saber dar importância ao silêncio em determinados momentos

 

Regras em atelier

·         Conservar o material, limpar e arrumar

·         Obter novos materiais

Liberdade/ autonomia

·         Reconhecer a sala como espaço libertador, na qual a criança pode ser autónoma nas suas acções, trabalhando de pé, sentada, deitada, produzindo livremente sem ter que se expressar para agradar ao educador mas sim a ele próprio, respeitando sempre o espaço e o outro

·         Saber utilizar e escolher várias técnicas para a criação livre e ou semi-livre

Controlo motor

·         Desenvolver a motricidade na utilização de diferentes técnicas artísticas (pintura, recorte, etc.)

 

Autoconfiança

·         Abolição da expressão ” não consigo”, através do estímulo dado pelo educador, e o reconhecimento de que é capaz

·         Criar o gosto pelo que faz

·         Saber resolver situações novas

·         Incentivar o raciocínio, a capacidade de análise e de decisão

·         Confrontar-se com novas formas de produção

·         Criar a necessidade do gosto por saber mais

·         Valorizar a livre expressão

 

Elementos da Forma           

 

·         Reconhecer espaço aberto, fechado, contorno, dimensões, sentido (vertical, horizontal, diagonal), figuras geométricas, sequências, cor, textura, caracteres diversos

·         Perceber que a mistura das cores gera novas cores

·         Reconhecer o seu corpo e explorar a representação da figura humana

·         Criar forma a partir da sua imaginação, utilizando intencionalmente os elementos visuais

·         Conseguir passar o “abstracto” para o papel percebendo que as formas, ou seus pormenores, são arbitrária ou deliberadamente ignoradas, com o objectivo de enfatizar de maneira cromática o espaço, em benefício de todo o conjunto

·         Descoberta do ESTÁTICO e do MOVIMENTO que se pode criar na produção plástica

·         Descobrir que cada um pode criar e produzir diferente dos outros, dentro da mesma proposta, segundo o seu desejo e sensibilidade

Linguagem/ Oralidade 

·         Aquisição de vocabulário

·         Criar situações em que a criança se exprima, dando a sua opinião gerando um debate pelo qual vai adquirindo e reforçando conceitos e autoconfiança

·         Interpretar de obras de arte através do diálogo baseado na maiêutica e na ironia

·         - Conhecer a história, o estilo e a expressividade de artistas plásticos: sua identidade, vivências e uso de suas técnicas.(Ex. Rembrandt; Ghirlandaio; Júlio Pomar, Vieira da Silva, Paula Rego, Bartolomeu Cid dos Santos, Eurico Gonçalves, António Costa Pinheiro; Amadeo de Souza Cardoso, Noronha da Costa, Jorge Martins, Jorge Molder, entre outros...).                           

 

O Projecto foi desenvolvido com base no Programa Integrado de Artes Visuais “Primeiro Olhar” (Programa Gulbenkian Investigação em Desenvolvimento Estético – IDE) da Fundação Calouste Gulbenkian e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e é um projecto de sensibilização à obra de arte. Pretende desenvolver os conceitos básicos da linguagem artística - visual  e propõe a experimentação visual e lúdica das imagens observadas. Tem por objectivo a formação estética dos públicos interessados em saber ver melhor  e olhar o lado poético da vida. Único tanto quanto únicos são os indivíduos e os grupos de trabalho, pode ser adaptado a qualquer faixa etária. Integra oito percursos, trinta e quatro obras de arte dos dois museus da Fundação Calouste Gulbenkian, exemplificando diversas modalidades: pintura, escultura, gravura, desenho, colagem, fotografia, vidro, cerâmica, tapeçaria, artes gráficas. As trinta e quatro obras distribuem-se por oito conjuntos que servem outros tantos modos de abordagem estética: 1 – Duas Famílias Estilísticas; 2 – Impulsividade do traço – Mancha Livre; 3 – Sentido das Proporções e Arabesco – Figura Humana, Pares; 4 – Cor Digitalizável; 5 – Apuramento da Forma – Encadeamento; 6 – Volume e Espaço; 7 – Metamorfose e Metáfora; 8 – Integração – Cor.

 

Tem como principais objectivos:

 

§  Facilitar possibilidades da apreciação e da criação artística a partir das qualidades expressivas das obras de arte;

§  Despertar o interesse de educadores, crianças e adultos para duas colecções de arte;

§  Facilitar a familiaridade com as obras de arte, através do contacto com materiais didácticos, especialmente concebidos para a explicação estética;

§  Proporcionar aos educadores, através de iniciativas formativas, a utilização deste modelo na preparação das visitas aos museus.

 

Os autores deste programa acreditam que “as obras de arte, prestando-se a uma pluralidade de interpretações, desenvolvem a sensibilidade e imaginação, desempenhando por isso um papel importante na experiência pessoal dos indivíduos. O convívio com a arte é um dos mais eficazes para a formação da personalidade e para a integração do indivíduo nos valores superiores da humanidade”..2

 

Actividades

 

            A actividade de Expressão Plástica contou com crianças e jovens de diversas faixas etárias dos 7 aos 18 anos e em 3 Instituições; Lar da Paz, Abrigo Nª Sª de Fátima e Abrigo Nª Sª da Conceição. A actividade foi desenvolvida uma vez por semana, com a duração de 1 hora numa instituição que tinham o período das 20 às 21h, e noutra das 15h às 16h, acontecendo várias vezes o prolongamento pelo entusiasmo das crianças e no período da tarde 17h a duração era de 2h prolongando-se sempre, dado que se estabeleceu um entrosamento muito grande.

            Estes grupos, tinham características bastante diversificadas; várias idades, problemas familiares, dificuldades de aprendizagem e problemas comportamentais

As sessões foram baseadas na conquista do entusiasmo por conhecer novas realidades, desenvolvimento dos afectos, pelo respeito do “eu” e do outro, conquista da autoconfiança, tendo sempre como apoio a experimentação plástica e o diálogo que proporcionou comentários, análise crítica, auto-avaliação, envolvimento, criatividade, espírito de grupo e outros valores, despertando-os para novos interesses e proporcionando situações em que se sentissem cada vez mais seguros, interessados e felizes.

 

Conseguir que o desinteresse, quase total, em alguns casos, por uma proposta nova e desconhecida que automática e repetidamente era rejeitada, sempre numa tentativa de destabilizar o grupo e a técnica, – Não quero fazer! Não gosto! Eu não sou capaz! (essa rejeição à inovação foi característica dos primeiros tempos, em alguns participantes), desaparecendo e transformando-se em: - Vou experimentar! Afinal não é como eu pensava! Eu sou capaz!

 

Muito estranho foi para eles aquele novo processo: - Pintura? Pintar com as mãos? Ouvir música? Conversar? … Não fazemos "trabalhos"? Foi um valioso meio para os conquistar e trabalhar todo um conjunto de regras e saberes. 

 

Assim, partimos para a Aventura/Descoberta.

 

Na sala que tínhamos disponível, os participantes tornaram-na como atelier e como seu espaço libertador onde tudo era permitido, ultrapassando as regras convencionais de Escola, lá podiam desenvolver a sua criatividade, deitados no chão, sentados, em pé, como melhor desejassem. Foram sempre estimulados para o diálogo e a aceitação da opinião do outro.

 

O participante teve sempre autonomia para se exprimir livremente, mesmo quando instigado com novas propostas. Foi-lhes sempre valorizada a livre expressão e estimulada outra forma de ver e fazer (importância do descobrir técnicas, cores, misturas, gestos, etc.). Poder transformar o abstracto para o concreto através dum pedaço de papel, de uma tinta, da mão, de um pincel, ou seja, partindo dos conceitos abstractos para a sua formalização no plano prático.

 

As crianças descobriram também que ao longo do tempo os seus trabalhos, duma mesma proposta, eram cada vez mais diferentes das produções dos colegas, pois aprendiam a libertar-se, a expressar a sua individualidade, o seu gosto próprio e afastando-se assim, dos primeiros momentos em que tentavam copiar ou seguir as ideias dos outros.

 

À medida que o tempo passava eles próprios sugeriam novas propostas e ao realiza-las surgiam sempre excelentes trocas de ideias.

 

A criança mostrou que quando não é influenciada pelos vícios dos adultos, projecta-se no que faz com sinceridade. Há que saber respeitar essa sua maneira de ser autêntica e atender à natural necessidade de comunicar com os outros e com o mundo que a rodeia.

 

Cultivar a expressividade criadora foi condição essencial para um verdadeiro entendimento e interacção, e assim se notou o progresso na socialização dos grupos.

 

O entusiasmo crescente levou à necessidade das crianças convidarem outras para o seu "espaço", “espaço de liberdade para pensar” e participarem com elas, acontecendo a integração nos grupos, de 3 crianças que pediram para continuar a participar nas actividades.

 

Começámos, então, a desenvolver o Programa “Primeiro Olhar” que se orienta por uma intenção pedagógica da educação do olhar e do ver, através do contacto com as obras de arte, promovendo, de uma forma sistematizada, o desenvolvimento da sensibilidade estética, estabelecendo a possibilidade da iniciação ao diálogo sobre a arte. Programa este que vai ser desenvolvido ao longo destes três anos e que proporciona, também, visitas a museus, centros culturais, espectáculos, passeios, numa forma geral, os assuntos culturais tendo sempre em vista a transversalidade e universalidade do conhecimento.

Após este percurso, até ao fim do ano lectivo, observei com grande satisfação, que a aposta nas artes plásticas resultaram no desenvolvimento da transversalidade de várias linguagens, o que era pretendido.

 

Aumentaram a AUTO-ESTIMA; hoje, as crianças, de um modo geral, não dizem que não conseguem! Que não fazem! e sente-se nelas, um desejo de fazer mais e melhor, afastando-se assim,  o mito não consigo!”.

 

Conseguiram resolver situações adversas, já não existem problema/enganos irresolúveis, tendo autonomia para os resolver. Estão muito mais atentas e sensibilizadas para novas propostas. Sentem um forte desejo de saber mais sobre uma técnica, um autor e até experimentar.

 

Foi atingido o objectivo a partir do momento em que as crianças aceitaram com entusiasmo a possibilidade de poderem demonstrar/partilhar o seu saber com pessoas distantes do seu grupo, confirmando o interesse pela actividade e a confiança nas suas produções e contrariando assim as suas atitudes iniciais, no começo deste percurso. Cito algumas perguntas e afirmações feitas pelas crianças:

- “Quando é que vamos falar do que aprendemos? Onde vai ser? Vai estar muita gente?

-“Aprendi muitas palavras e coisas que não sabia!”

-“Quando eu entrei para as artes pensei que não ia gostar mas, dei por minha conta que aos poucos, conforme íamos trabalhando na pintura eu ia gostando e estou adorando trabalhar com o grupo das artes!”

-“Porque é uma actividade que me desenvolve e gosto muito de saber isso de mim!”

-“Aprendi a usar a minha imaginação e tenho mais confiança naquilo que faço!”

-“Estas aulas são interessantes, ajudam-me a evoluir na minha aprendizagem. A Expressão Plástica abre a minha mente!”

 

Nestas sessões aprendi que as artes não são só pinturas. Aprendi a analisar retratos, esculturas e outros derivados como: saber os contornos, a pincelada controlada a descontrolada, a analisar os fundos, os acessórios e a sua postura.

 

A princípio não gostava de pintar com as mãos mas já gosto muito mais.

Adoraria continuar e aprender muito mais. Adorei também como a professora falava connosco.

Rita   14 anos             

        

No princípio confesso que não gostava muito de artes mas, estas sessões fizeram-me gostar e apreciar os dons que as pessoas têm.

Nestas sessões, aprendi que a expressão plástica não é só pintar é também apreciar e entender a pintura, durante estas sessões aprendi uma linguagem diferente, por exemplo, enquanto apreciamos uma obra que pode ser retrato ou pintura temos o cuidado de conseguir ver se é uma pintura com contorno definido, se a pincelada é controlada ou não, se há pouca ou muita claridade, etc. Aprendemos também que a pintura transmite-nos muita informação sobre como o artista se sentia, se o tempo estava quente ou frio e muitas outras coisas.

Carina   18 anos                              

 

Eu gostei muito destas aulas. Acho que têm sido úteis para mim pois, aprendi muito e até coisas que não aprendi quando era pequena, agora depois de ter estas aulas comecei a aprender muito mais.

Gostaria de continuar com estas aulas para aprender mais coisas. Estas aulas têm sido interessantes.

Flávia   15 anos                           

 

Quando eu entrei para as artes pensei que não ia gostar mas, dei por minha conta que aos poucos, conforme íamos trabalhando na pintura eu ia gostando e estou adorando trabalhar com o grupo das artes!

Cácia 18 anos                         

 

Senti que podia aprender a desenhar melhor, ter alguém que me pudesse ensinar coisas novas e também um tipo de experiências novas, retratos e animação.

Celina  9 anos                            

 

Porque é uma actividade que me desenvolve e gosto muito de saber isso de mim.

Rubina   11anos                     

                  

Porque sinto que tenho jeito mas, tenho vergonha de mostrar o meu talento, mas com o tempo habituei-me.

Estou a adorar esta Expressão Plástica, aprendo e ensino aos outros lá na Escola o que aprendo aqui no Abrigo. Há qualquer coisa diferente nesta Expressão Plástica e da Expressão Plástica da Escola, na Escola aprendemos coisas iguais ás que já sabemos e aqui no Abrigo aprendemos coisas novas que me dão muita energia, ouvir e fazer.

Adorei o dia em que estivemos a falar sobre o retrato da jovem e o “retrato do idoso”.

Mónica   11anos                     

 

 O que me chamou mais a atenção foi a “figura do velho” e a “jovem”. Aprendi os autores Ghirlandaio e Rembrandt tinham contorno definido e indefinido, também fiquei curioso e gostava de saber mais sobre a Fundação Calouste Gulbenkian.

Estas aulas são interessantes, ajudam-me a evoluir na minha aprendizagem. A Expressão Plástica abre a minha mente!

Lúcio   11anos                              

 

Aprendi a usar a minha imaginação e tenho mais confiança naquilo que faço!

Débora   13 anos

 

Algumas pistas de reflexão:                  

 

  • Estas crianças e Jovens melhoraram a oralidade e adquiriram novos vocábulos, tais como: artista plástico, “composição” diferente de redacção etc.
  • As regras de comportamento melhoraram de forma substancial, reflectindo-se na sociabilidade e no interesse pela actividade e curiosamente começam a despedir-se com um amistoso “ obrigada professora, até para a semana!” e um habitual “para a semana vem?”.
  • Também é de notar a sua pronta disponibilidade e sentido crítico, para fazerem a avaliação escrita das sessões e a sua auto-avaliação, demonstrando uma clara evolução na segurança e auto-estima.
  • Fui apercebendo-me dos frutos resultantes do trabalho através da Arte, porque a Arte como forma de apreender o Mundo permite desenvolver o pensamento crítico e a sensibilidade, explorar e transmitir novos valores, entender as diferenças culturais e constituir-se como expressão de cada cultura.
  • A Expressão Plástica facilitou a exploração e desenvolvimento da Criatividade, servindo para descobrir a emoção estética que reside, justamente, na satisfação que experimentamos por nos sentirmos capazes de explorar ao máximo as nossas capacidades inatas de percepção.
  • Todas as actividades criadoras não visaram nenhuma preparação de técnica específica, mas sim a transformação do hábito de pensar ao acaso em pensar logicamente ou, segundo Kerschensteiner, pensar cientificamente. O que importou não foi o trabalho executado pela criança mas sim o efeito que este produziu na sua educação.

 

É possível dizer-se que se pode confirmar que a educação em Artes Visuais, num processo contínuo ao longo da vida contribui para o apuramento da sensibilidade e constrói, igualmente, uma área de reconhecida importância na formação pessoal em diversas dimensões – cognitiva, afectiva e comunicativa, e que esta tenha implicações no desenvolvimento estético-visual dos indivíduos, tornando-se condição necessária para alcançar um nível cultural mais elevado, prevenindo novas formas de iliteracia.

 

Sem dúvida, a arte na Educação é de importância primordial para o ser humano no desenvolvimento da personalidade, cognição, socialização, assim como ajuda a crescer emocionalmente. É importante salvaguardar, agora, a educação pela arte, que nos faculta não só o desenvolvimento cognitivo e a área do "saber", em breve, haverá no mundo civilizado, apenas seres Desumanizados, esmagados por noções intelectuais e desprovidos de criatividade, que recusaram toda a manifestação sensorial.

 

(...)”Nenhuma reforma resolverá os problemas acumulados, porque apenas um novo conceito de educação, que vise a criatividade mais que a erudição, formará HOMENS capazes de assumir o PROGRESSO.” –Arno Stern.

 

Actividades paralelas ao projecto

 

Momentos...

 

Durante estes (quase) dois anos que temos vindo a desenvolver as áreas de Literatura e de Expressão Plástica, sentimos a necessidade de, para além dos objectivos trabalhados nas nossas sessões, proporcionar novas experiências às crianças e jovens com quem colaboramos.

 

Os nossos educandos apresentam algumas carências no que diz respeito à confiança em si próprios e nos outros que resulta em diversos desajustes pessoais e de sociabilidade. Muitas vezes sentem medo de falar, de expressar uma opinião, de receber ou trocar um afecto e revelam uma baixa auto-estima.

 

Nós, educadores, somos o seu apoio, a sua referência extra-instituição. Para além de nós duas, contamos com o apoio de dois voluntários. 

 Ao longo deste tempo conseguimos criar relações de proximidade e de confiança. Somos as pessoas com quem elas podem contar e que lhes dão valor, sentindo-se que foi criada uma simbiose entre os jovens e nós.

Tendo em conta estas premissas, faz todo o sentido investir em actividades livres, uma vez que a formação em vários contextos são elementos essenciais destas iniciativas para a formação intra pessoal:

– Estabelecendo uma ligação directa com a própria consciência, dominando seus sentimentos com facilidade e tendo uma ideia clara das suas capacidades e dos seus limites. Assim, aprendem a usar as suas experiências, positivas ou negativas para se aperfeiçoarem. Em suma, conseguirem um equilíbrio emocional que as torne pessoas centradas, seguras e confiantes no seu EU.

E formação interpessoal:

 Ajudando na aproximação e interacção com o outro, contribuindo, então, para uma aprendizagem e desenvolvimento de cidadãos conscientes, capazes de questionar o mundo que os rodeia.

 

Pretendemos através destas reuniões/acções onde os jovens podem falar, brincar, estar à vontade e libertar-se, aproveitar estes momentos para:

·         Conseguir ajudar a resolver casos ou necessidades por eles; sentidas, criando espaços para o diálogo particular ou em grupo;

·         Desenvolver o espírito de grupo/equipa;

·         Transmitir-lhes afectos, o valor da amizade e dos sonhos;

·         Desenvolver o sentido crítico e condutas sociais;

·         Trabalhar o reconhecimento e a resolução dos seus erros;

·         Desenvolver o respeito pelo outro, construindo a tolerância;

·         Reconhecer os seus conflitos e medos, ultrapassando-os, ajudá-los a resolver dilemas;

·         Desenvolver a sensibilidade;

·         Aprender a exteriorizar os seus sentimentos e a facultar a desinibição;

 

Temos por objectivo incentivá-los a saber desfrutar dos seus tempos livres, apreciar e dar valor aos momentos da vida, proporcionando-lhes sempre, valências necessárias e construtoras para as suas experiências no seu percurso de vida e desenvolvimento da personalidade.

 

Todas as acções realizadas têm como base prioritária o Amor e o Afecto, sentimentos que são deficitários e muito sentidos nas vivências destas crianças e jovens.

Através de actividades livres - Alegres, sem Preconceitos, Descontraídas e Relaxantes, pretendemos fazer a “ponte” entre a aquisição de saberes e um momento de catarse.

 

Momentos...

Ao fim-de-semana

-          Visita à Aldeia da Paz, com participação num treino de futebol e experimentação plástica.

-          Experimentação fotográfica

-          Jogos de Futebol

-          Caminhadas no meio urbano

-          Conversas e troca de confidências

-          Lanche para apoio de casos problemáticos

-          Visita e entrega de um presente a uma jovem interna, no Domingo de Páscoa

-          Convívio/almoço entre Orfanato Princesa D. Maria Amélia e Abrigo de Nossa Senhora de Fátima na casa da Margarida

-          Reflexão sobre o almoço/convívio

-          Preparação de trabalho sobre o convívio

-          Festa da Flor e Oferta de um Gelado – Abrigo Nª Sª de Fátima

 

Actividade Complementar

 

Foi adoptada uma actividade complementar à área de Expressão Plástica com os objectivos de desenvolver a sociabilidade, o espírito de equipa (sentido de grupo), adquirir conceitos básicos de comportamento, cooperar com os outros em projectos e tarefas comuns, bem como promover as relações interpessoais (entre alunos e entre aluno

– educador), promover o respeito mútuo entre alunos e alunos/professores, participar em actividades interpessoais e de grupo, respeitando normas, regras e critérios de actuação e de trabalho em vários contextos, manifestar sentido de responsabilidade, de flexibilidade e de respeito pelo seu trabalho e pelo dos outros, e comunicar, discutir e defender ideias próprias, dando espaço de intervenção aos seus parceiros, facilitando, também, momentos de lazer e descontracção, tão necessário para quebrar a rotina diário institucionalizada. Os jogos de futebol, como são da preferência dos participantes, foram escolhidos para permitiram uma envolvência espontânea e de muito agrado entre estes. Os mesmos foram ministrados por Edísio Cunha, voluntário, com formação de treinador de crianças e jovens.


 

NOTAS DE RODAPÉ

[1] Elisa Marques et al., Educação Visual in Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais, Lisboa, Ministério da Educação, 2001, p. 155.

2 Gonçalves. M.Fróis,J.P. e Marques,E.(2002). Primeiro Olhar. Fundação Calouste Gulbenkian.Lisboa)