Biologia e Ambiente

Biologia e Ambiente

Oficina de trabalho: Ver e Sentir a Natureza

 

Coordenadora: Susana Maria Gouveia e Sá Ventura Fontinha

Colaborador: José Felisberto de Gouveia Almeida

 

“ Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece reflectido dentro da gente.” Rubem Alves

 


Pressupostos

As plantas, os animais e o meio ambiente em geral despertam muita curiosidade na criança, pois ela, tal como nós e os restantes seres vivos, faz parte da Natureza.

A promoção de actividades envolvendo os seres vivos e as suas relações com o meio ambiente permitem desenvolver a aprendizagem e a compreensão da criança em relação ao mundo natural e social onde se encontra.

A criança ao fomentar atitudes de respeito e de protecção para com as plantas e os animais, desenvolve igualmente atitudes de respeito e valorização pela sua própria vida e para com a do próximo.

O contacto directo com as plantas e os animais propicia inúmeras descobertas relacionadas com a Natureza, desde os seres mais pequenos como sejam os musgos, os caracóis e as borboletas até aos de maiores dimensões, nomeadamente as aves, as tartarugas e os lobos-marinhos, enriquecendo as experiências e fomentando o conhecimento da criança.

Através do olhar atento e da experimentação directa com as plantas e os animais e demais elementos naturais, tais como o ar, a água, a terra e a luz do sol, a criança aprende, praticando, os cuidados a ter com o meio ambiente, com a salvaguarda de espécies em risco de extinção, bem como a importância das energias renováveis, entre outros aspectos, explorando e descobrindo o mundo à sua volta.

As actividades envolvendo a Natureza despertam curiosidade na criança, possibilitando o desenvolvimento de estudos e contextualizando descobertas sobre o meio onde vive, tornando-a mais sensível, respeitadora e crítica.

Com a oficina de trabalho “Ver e Sentir a Natureza” é pretendido, entre outros objectivos, desenvolver e incrementar o conhecimento sobre o Património Natural da Madeira e a sua relação com o mundo e o próprio ser vivo (o Eu).

 

Objectivos específicos

 

Despertar o gosto e o respeito pela Natureza;

Descobrir as plantas e os animais de pequenas dimensões;

Investigar as plantas e desvendar a sua utilidade;  

Promover a investigação do mundo selvagem;

Reflectir sobre as espécies em risco de extinção;

Incutir comportamentos correctos na Natureza;

Investigar as energias renováveis;

Compreender a importância das áreas protegidas;

Promover um mundo sustentável.

 

Estratégias

 

 Partir à descoberta da beleza, diversidade e riqueza do património natural da Madeira, através de exposições teórico-práticas na sala com o recurso ao computador, distribuição de equipamento e material informativo com discussão e análise do mesmo, elaboração e participação em jogos didácticos temáticos, complementadas com saídas ao exterior, que pretendem ser em número superior às actividades desenvolvidas na instituição.

 

 

Actividades desenvolvidas

- Olhar as árvores do Parque de Santa Catarina

- Olhar as plantas que comemos

- Ver o jardim

- Descobrir os musgos

- À caça dos musgos do Parque de Santa Catarina

- As árvores e sua importância

- A Natureza da Madeira

- Visita guiada ao Museu Universo de Memórias de João Carlos Abreu

- As plantas aromáticas

- Energias doces e energias não renováveis

- As energias renováveis

- O forno solar

- Vamos fazer um forno solar

- Visita guiada à Feira de Energias Renováveis

- Visita guiada ao Museu Municipal do Funchal - História Natural

- Visita guiada ao Navio Patrulha Zaire da Armada Portuguesa

- Visita guiada à Reserva Natural das Ilhas Desertas

 

Resumo das actividades desenvolvidas

 

As sessões decorreram de acordo com a programação efectuada, uma vez por semana, à 4ª feira entre as 17h00 e as 18h00, com excepção da última actividade que aconteceu no dia 10 de Julho e culminou com a visita à Reserva Natural das Ilhas Desertas.

 

Cada sessão foi programada, pelo menos, com uma semana de antecedência. Visto as actividades serem programadas para o exterior, as mesmas foram reconsideradas na véspera da sua ocorrência, tendo em consideração a previsão do estado do clima.

A preparação da sessão entre os voluntários ocorreu uma hora antes da mesma se iniciar com as crianças, ou seja cerca das 16h00, terminando cerca das 18h30, isto é 30 minutos após o seu término com as crianças.

 

O plano das diferentes actividades tentou conjugar as motivações e os gostos das crianças em relação à Natureza, os meios existentes, o tempo disponível e as condições do clima.

 

As crianças demonstraram de forma crescente uma grande curiosidade e muita vontade em descobrir mais sobre o meio ambiente e a diversidade de seres vivos. De igual modo, foi bem evidente o fortalecimento do espírito de equipa, de confiança e de respeito entre todos.

 

Desde Janeiro de 2009, início desta oficina de trabalho e até ao dia 10 de Julho, última actividade, foram desenvolvidas 21 sessões, 50% das quais decorreram fora da instituição. Em relação às actividades desenvolvidas no Abrigo da Nossa Senhora da Conceição, 50% das mesmas ocorreram fora da sala ou seja aconteceram nos jardins e noutros espaços. 

 

As actividades desenvolvidas tiveram a colaboração do Serviço do Parque Natural da Madeira, que forneceu material divulgativo e autorizou a visita à Reserva Natural das Ilhas Desertas, da Marinha Portuguesa que facultou o transporte marítimo entre a Ilha da Madeira e as Ilhas Desertas no Navio Patrulha Zaire da Armada Portuguesa, do Museu Municipal do Funchal – História Natural e do Museu Universo de Memórias de João Carlos Abreu que facultaram entradas gratuitas e visitas guiadas.

 

Para celebrar o aniversário de cada criança, foi oferecido um livro a cada uma delas, em nome da CRIAMAR.

 

Reflexões

 

Foi com expectativa que iniciámos as nossas actividades. Sabíamos que iria ser um desafio tanto para nós como para as crianças, mas estávamos confiantes que com as estratégias adequadas seria possível ultrapassar as dificuldades e alcançar os desideratos.

 

O tema é e era actual, atractivo e fracturante e isso era já um bom início de coexistência relacional, mas que por si só carecia de ser bem tratado, interessante e principalmente cativante tanto para o universo da criança como para nós adultos.

 

Tínhamos consciência que os temas ligados à Natureza e ao Meio Ambiente são muito sedutores para as crianças e que com as metodologias adequadas seria possível fazê-los sentir atraídos e envolvidos não só com o projecto em si mas e principalmente com a criação de uma consciência ecológica.

 

Era também muito importante, senão essencial criar no grupo dinâmicas de trabalho e entreajuda, responsabilidade e respeito não só pelos monitores e seu trabalho mas e principalmente entre os jovens, nomeadamente o auto respeito e o hetero-respeito, por via da disciplina e da contenção comportamental.

 

Como é evidente, embora nem sempre fácil de implementar, tais objectivos num universo etário como o das crianças que connosco interagiam não era muito fácil à partida o que exigiu de nós persistência, rigor, fraternidade mas e principalmente solidariedade de objectivos que sobremaneira lhes procurámos incutir.

 

Igualmente a mensagem pedagógica que lhes fornecíamos teve que ser muito bem preparada, tornada atractiva, actual e sempre inter-activa, no sentido de procurarmos não ser mais um braço da realidade pedagógica que conhecem no seu dia-a-dia de alunos, inseridos no sistema de ensino oficial da Região.

 

Igualmente e sempre, procurámos satisfazer os interesses pedagógicos e formativos da CRIAMAR e não sermos apenas e só uma sala de estudo de substituição pedagógica ou formativa.

 

Importava sim e principalmente desenvolver competências, enriquecer o universo da criança e também o nosso com experiências formativas, tão inovadoras quanto nos fosse possível desenvolver.

 

Tínhamos consciência que as crianças são crescentemente exigentes, muitas vezes mais com os outros que consigo próprias e foi nosso objectivo que o seu próprio nível de exigência fosse progressivamente enriquecido, não só em relação a si próprias mas também e principalmente no desenvolvimento de dinâmicas de grupo.

 

Evidentemente, procurámos que crescessem individualmente mas procurando aumentar os seus níveis de responsabilidade mútua, tanto ao nível dos comportamentos mas e também da disciplina pessoal e colectiva, fazendo nós todo o possível para que tais critérios nos fossem igualmente aplicados.

 

O projecto de actividades, no seu desenrolar procurou criar não só uma consciência ecológica e de descoberta do mundo natural em que todos nos encontramos inseridos mas fomentar nos participantes, Eles e nós uma metodologia de intervenção, de que foi exemplo marcante a construção de um forno solar.

 

Evidentemente que tal trabalho, na realidade dois fornos, construídos por dois grupos de 4 jovens procurou fundamentalmente, não apenas a utilização de materiais recicláveis mas e principalmente fomentar dinâmicas responsáveis de grupo, com divisão de tarefas e criação de lideranças distribuídas, rotativas e não protagonizantes.

 

No fim do projecto e da oficina sentimos que o trabalho comum foi mutuamente enriquecedor, vantajoso para as crianças e para nós mas e principalmente que lhes incutiu a eles princípios que os mesmos pressentiam existir mas nem sempre sabiam aplicar, num processo colectivo de inserção num colectivo mais alargado.

 

Foi sobremaneira importante transmitir ás crianças a necessidade não só da disciplina como do respeito por si, pelos outros participante e por nós monitores mas e também o do trabalho bem feito e atempado assim como o da assiduidade e da preparação das matérias versadas.

 

Procurámos sempre preparar os temas de maneira o mais profunda possível, tendo em vista o nível etário e de conhecimentos das crianças e igualmente procurámos fomentar a utilização das modernas ferramentas pedagógicas e lúdicas responsáveis, caso da Internet e da utilização de computadores.

 

Fugimos sempre e de forma definitiva do facilitismo, da camaradagem facilitadora e desmotivante, jamais transigindo com faltas de respeito próprias ou em relação aos outros e a nós mesmos, mostrando às crianças o trabalho sempre feito e nunca improvisado, não desvalorizando nem defraudando as suas e nossas expectativas.

 

Tivemos como objectivo essencial e cumprindo tal desiderato, tanto quanto possível fielmente, a aplicação preferencial de ferramentas pedagógicas e formativas no exterior, de forma a interessá-los ao máximo na potenciação da sua e da nossa curiosidade, fugindo o mais passível da realidade formativa institucional.

Assim agindo, foi possível criar uma atmosfera mutuamente enriquecedora e formativa potenciadora de melhores resultados tanto no âmbito das relações interpessoais mas e também na melhoria comportamental tanto na escola, como na Instituição mas e principalmente dentro de si e de nós próprias.

 

É nosso objectivo prosseguir, se tal nos for permitido, em equipa, com os mesmos monitores, nesta ou noutra Instituição, se possível nesta, a experiência formativa de responsabilização, trabalho bem feito e mutuamente vantajoso, sem perder de vista o bem essencial que é o da Protecção da Natureza e a sua descoberta.

 

Assim e se possível estamos desde já a parametrizar as ferramentas que iremos aplicar no próximo ano lectivo, para que os objectivos da Instituição de que somos voluntários, a CRIAMAR, as crianças e nós próprios saiamos valorizados, enriquecidos e felizes.